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Estudo da vulnerabilidade do sobreiro à seca em Portugal

Os ecossistemas dominados pelas espécies sobreiro (Quercus suber) e azinheira (Q. ilex) na Península Ibérica, conhecidos como montado em Portugal e dehesa em Espanha, têm sofrido crescente abandono de terras nas últimas décadas. Isso resultou na expansão de matos dentro do montado, aumentando a competição por recursos entre as espécies arbóreas presentes.

Numa região que se prevê vir a experienciar eventos de seca severa cada vez mais frequentes, torna-se ainda mais imperativo compreender como esta dinâmica de competição irá impactar a vulnerabilidade do sobreiro à seca, uma espécie de grande importância socioeconómica e ecológica.

Assim, este trabalho, realizado no âmbito do projeto COOPTREE – ‘Cooperação transnacional para a preservação e resiliência das florestas no sudoeste da Europa’ e cofinanciado pelo programa Interreg Sudoe através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), teve como objetivo monitorizar os efeitos do adensamento de arbustos no crescimento e na transpiração dos sobreiros. Para o estudo, foi utilizada uma parcela experimental de longo prazo em Vila Viçosa, Portugal. Este local situa-se junto à fronteira com Espanha e apresenta a paisagem característica e as condições áridas de um montado/dehesa. Foram selecionados vários sobreiros com dois tratamentos: adensamento pelo mato Cistus ladanifer e ausência de mato (tratamento controlo). A capacitância da árvore, que reflete a água armazenada nas células do floema, está a ser medida utilizando: dendrómetros, que também permitem observar as flutuações diárias no crescimento radial; sensores de fluxo de seiva, que medem a transpiração e o uso da água; e o potencial hídrico antes do amanhecer nas folhas. A vulnerabilidade à cavitação está a ser medida em ramos terminais utilizando um dispositivo Pneumatron.

Também foi recolhida a queda de folhedo para observar a fenologia de folhas, flores e frutos, bem como analisar como o adensamento de matos contribui para a perda de copa. Esperávamos que a competição com Cistus ladanifer impactasse negativamente os sobreiros.

E embora os resultados iniciais mostrem maior crescimento nas árvores sem coocorrência de matos em comparação com aquelas que experienciam competição, as árvores sem presença de mato também apresentaram maior vulnerabilidade à cavitação do xilema. É provável que as árvores sujeitas à competição com matos tenham desenvolvido um comportamento mais conservador, como o fecho mais precoce dos estomas, aumentando a eficiência no uso da água e a probabilidade de sobrevivência em troca de um crescimento maior.

Estes resultados iniciais indicam que o adensamento de matos impactará os montados de sobreiro; no entanto, a resiliência a estas mudanças no uso do solo pode depender de estratégias adaptativas expressas pelos indivíduos arbóreos.

 
 
 

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